Desvendando o Mistério das Calorias

Desvendando o Mistério das Calorias, porque as calorias são muito mais complexas do que um simples cálculo matemático.

Desvendando o Mistério das Calorias

O que são Calorias?

Calorias são uma unidade de medida de energia. Representam a quantidade de energia que os alimentos fornecem quando são metabolizados pelo corpo.

No contexto da nutrição, as calorias são frequentemente usadas para indicar a quantidade de energia que os alimentos e as bebidas contém. Quando consumimos  alimentos, o nosso corpo utiliza a energia das calorias para realizar várias funções vitais, como manter a temperatura corporal, realizar atividades físicas e realizar funções metabólicas básicas.

As calorias são geralmente associadas à energia proveniente dos hidratos de carbono, proteínas e gorduras.

Apenas a água não tem calorias

agua

A água é o único alimento natural que não contém calorias.

A água ao ser uma substância composta por moléculas de hidrogênio e oxigênio (H2O) não tem calorias, isto é, não contém os componentes que fornecem energia ao corpo, como hidratos de carbono, proteínas ou gorduras.

Wilbur Olin Atwater

O que é que o Calor tem a ver com as Calorias

As calorias da comida foram inicialmente calculadas usando um método criado pelo químico americano Wilbur Olin Atwater, no final do século XIX, que teve como metodologia o calor.

Uma caloria, é a quantidade de calor suficiente para aumentar em 1 grau a temperatura de 1 ml de água.

Atwater levou diversos alimentos para o laboratório, queimou diversos tipos de alimento, com um maçarico, e mediu a quantidade de energia libertada em forma de calor. Chegou à seguinte conclusão: Uma caloria, é a quantidade de calor suficiente para aumentar em 1 grau a temperatura de 1 ml de água.

A ele também se deve o conceito de Kilocalorias usadas para medir as calorias presentes nos alimentos. 1 Kilocaloria refere-se a 1.000 calorias. Tornava-se então mais fácil medir as calorias dos alimentos.

A ele se deve também o cálculo de calorias 4-9-4, que é utilizado até hoje. Para se chegar às Kilocalorias de um alimento, multiplica-se a quantidade de hidratos de Carbono por 4, assim como das proteínas. As gorduras multiplicam-se por 9.

Uma caloria não é uma caloria

Hoje sabemos que a digestão é um processo mais complexo do que queimar comida com um maçarico. O processo de digestão dos alimentos, que tem a ver com o alimento, assim como, com as características individuais dos sujeitos, faz com que a ciência se afaste cada vez mais da equação 4-9-4. 

As calorias de alimentos inteiros, e ainda mais se crus,  implicam um maior gasto de calorias durante o seu processo digestivo, logo as suas calorias fornecem menos energia ao organismo.

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Do Maçarico à Termogénese

O processo chamado termogénese implica que os alimentos não forneçam a mesma quantidade de calorias úteis.

A proteína é o alimento que requer mais energia para ser digerido – 20% a 35% das calorias das proteínas são gastas no próprio processo de digestão. Assim, se comermos 100 Kcal de proteínas, o nosso corpo só vai ficar com 64 a 80 Kcal “líquidas”.

Os hidratos de carbono e as gorduras implicam menos gasto energético para ser metabolizados,. A sua digestão implica 5% a 15% do total de energia.

Tendo em atenção a individualidade de cada um de nós, considera-se que o gasto é o seguinte:

  • 25% de perda de calorias para proteínas
  • 10%  de perda de calorias para hidratos de carbono e gorduras.

Quanto mais firme estiver a parede celular de um alimento mais difícil será a sua digestão, e portanto, menos energia nos deixará disponível. Assim, quanto mais processado o alimento, maior a energia fornecida, logo mais calórico. 

Cozinhar elimina micróbios presentes na carne, o que faz com que o nosso organismo gaste menos energia para se defender.

MAÇA

MAÇÃ CRUA: 72 Calorias em média

MAÇÃ ASSADA: 90 Calorias em média

quanto maior a mastigação exigida, menos calorias os alimentos fornecem

A textura dos alimentos  influencia na disponibilidade energética dos alimentos.

Com o processo de Termogénese compreendemos que,  os alimentos com menos calorias, se processados,  geram maior disponibilidade de energia no nosso organismo (mais calorias), gerando acumulação de gorduras, e por isso, estão ligados ao aumento de peso.

Um exemplo clássico é o pão branco, que embora tenha menos calorias, é facilmente digerível, e portanto gera uma disponibilidade de energia muito maior no nosso organismo do que o pão integral, que tem em si mais calorias. O mesmo se aplica a todos os cereias processados.

Desta forma, mais importante do que as calorias que caracterizam o alimento, é  estarmos atentos ao seu nível de processamento.

TERMOGENESE

E, as Bactérias do nosso Intestino e as Calorias

gut-kombucha

Mesmo que duas pessoas comam exactamente o mesmo prato , isso não garante que vão metabolizar as mesmas quantidades de calorias.

Isto tem a ver, sobretudo, com os quase trilhões de bactérias que habitam o nosso intestino.

As bactérias são responsáveis por quebrarem as moléculas dos hidratos de carbono, que o nosso organismo não consegue digerir sozinho. As mais abundantes são as firmicutes – 60% a 80% – e as bacteroidetes – 20% a 40%-. Estudos mostram que uma maior proporção de firmicutes  absorvem mais calorias dos alimentos.

A espécie lactobacillus reuteri (que pertence ao filo firmicutes) tem sido associado à obesidade.

Os fermentados e a kombucha, são por isso importantes elementos na nossa alimentação, como estão a revelar as investigações mais recentes.

Nutricionistas da Universidade de Florença, que compararam a flora intestinal de crianças de Burkina Faso com crianças da Itália verificaram que as crianças africanas tinham mais Bacteroidetedes (57%) e menos Firmicutes (27%), do que as europeias, que possuíam 22% das bactérias boas (Bacteroidetedes) e 63% das bactérias más (Firmicutes).

Segundo os autores do estudo, a situação deve-se à diferenças das dietas dos dois grupos de crianças. As dietas rurais de áfrica são compostas maioritariamente por cereias, e legumes. Todos estes alimentos são ricos em fibras e fontes de polissacarídeos, que nutrem as bactérias Bacteroidetes.

Vários estudos de transplantes de fezes, validam igualmente a importância da micobiota para a absorção de calorias e a sua relação com a obesidade.

ZERO CALORIAS, NÃO É BEM ASSIM !

O consumo de alimentos com zero calorias estão associados ao aumento de peso, por aumentarem os níveis de insulina e em conserquência  o desejo por alimentos mais processados, os quais contribuiem também para o desiquilibrio da flora intestinal. Ver estudos 

Segundo Marta Aranzadi, alimentos e bebidas com edulcorantes (adoçantes) engordam, porque bloqueiam o metabolismo dos hidratos de carbono. Os adoçantes também ativam a produção de insulina e, não havendo açúcar para entrar, devido às zero calorias, o organismo aumenta o apetite, assim como o desejo por alimentos ultraprocessados, de absorção rápida.

Calorias e a Kombucha

Aplicando todo este conhecimento ao contexto da Kombucha, é importante que saibas escolher a tua Kombucha.

Se uma kombucha tiver ZERO calorias, significa que é processada. Não foi feita com chá e plantas. 

Lembra-te, o único alimento natural que tem ZERO calorias é a água.

Portanto, são os alimentos ultraprocessados que são responsáveis pelo aumento das bactérias más (Firmicutes), no  intestino. Sendo o exemplo de algumas Kombuchas comerciais, que são carbonatadas artificialmente, pasteurizadas e ultra filtradas, e em algumas chegam a adicionar probióticos. Mas, não nos deixemos iludir, não são esses elementos que vão trazer  os benefícios associados à kombucha tradicional.

Uma kombucha com um nível superior a 1,8 gr/100ml  de açúcar é uma kombucha pouco fermentada, à qual não podemos associar os benefícios da Kombucha tradicional e de outros alimentos fermentados.

Em jeito de conclusão, quando no rótulo afirma ter ZERO CALORIAS, é já um bom indicador para não  consumirmos esse produto alimentar. 

Mais importante que as calorias indicadas no rótulo, devemos estar atentos ao nível de processamento do produto. De forma geral, quanto mais processado, mais calorias gera, directa ou indirectamente. Quanto mais inteiro e menos processado, mais estamos a alimentar as bactérias boas do nosso intestino (Bacteroidetedes). É isso que importa, a nossa dinâmica celular e bacteriológica.

Ao escolhermos alimentos orgânicos pouco processados estamos  a fornecer ao nosso  organismo elementos  que realmente fazem uma  gestão eficiente do nível de energia do nosso corpo.  Esta escolha,  vai afectar o nosso bem estar e todo o nosso desempenho físico, cognitivo e relacional.

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